Assunto presente nos consultórios de nutrição e, principalmente, nas academias, a suplementação na atividade física é uma área bastante interessante para estudar. Tive a honra de aprender lições importantíssimas com o nutricionista português Vitor Hugo Teixeira, professor da Universidade do Porto e responsável pelo acompanhamento nutricional dos atletas de elite do Futebol Clube do Porto.
O figo seco foi o primeiro alimento a ser usado no desporto, por volta de 580 a.C. Acreditava-se que o consumo de figos influenciava positivamente o desempenho dos atletas. De lá para cá, muitos conceitos mudaram, muitas modernizações aconteceram.
Para obter sucesso na atividade física escolhida, considero importantes quatro fatores:
1. Genética: Isso explica porque os resultados da musculação não aparecem de maneira igual para todos. A hipertrofia, por exemplo, pode ocorrer mais rapidamente no seu amigo de treino do que em você, ainda que vocês tenham a mesma idade, a mesma alimentação e que pratiquem exatamente o mesmo tipo de exercício. Outro exemplo que reforça o papel da genética é o jogador de vôlei. A alta estatura é determinada geneticamente e imprescindível para ingressar nos times de elite, na maioria das posições. Em relação ao emagrecimento, a mesma coisa: algumas pessoas precisam de um pouquinho mais de paciência para visualizar as gordurinhas dando lugar aos músculos.
2. Treino: É fundamental que o treino esteja alinhado ao seu objetivo. Não adianta querer ganhar muita massa muscular praticando exclusivamente exercícios aeróbicos, por exemplo. Busque sempre a orientação do profissional de educação física para adequar o tipo de atividade, o tempo de duração e a frequência da prática, além do número de séries e número de repetições quando aplicáveis.
3. Nutrição: 'O que comer?' e 'quando comer?' também fazem toda a diferença. Se você deseja ganhar massa muscular, o aporte calórico deve estar aumentado, a hidratação precisa ser reforçada e a cronobiologia (horário das refeições) deve ser considerada. Se o seu desejo consiste em perder uns quilinhos, o aporte calórico já é menor, porém suficiente para suprir as suas necessidades diárias de energia. Demais pontos de atenção: equilíbrio entre carboidratos, proteínas, gorduras e micronutrientes. Aqui também entra a questão da suplementação, que vamos discutir logo mais abaixo.
4. Estado psicológico: No caso dos atletas de alto rendimento ou de esportistas que participam de campeonatos, o estado psicológico pode ser decisivo. Vou citar novamente o vôlei (sou fã de carteirinha!). Quem já assistiu a uma final de Superliga sabe do que eu estou falando. O time está jogando super bem, concentrado e, de repente, quando começa a perder, o cenário muda completamente: vemos um grupo desequilibrado tentando pegar uma bola sem técnica nenhuma. Pronto, este é o efeito do estado psicológico sobre a atividade física. E fica a dica: aprender a mater o equilíbrio nos momentos de estresse é indispensável para alcançar a vitória.
Falando mais especificamente sobre a suplementação, que é o tema da postagem de hoje, esta é uma alternativa realmente interessante em alguns casos. Claro que se você pratica o seu exercício físico de intensidade moderada, três vezes na semana, a boa alimentação já é capaz de manter o seu organismo nutrido. Porém, em situações de exercícios de intensidade elevada, quando não é possível alcançar o aporte calórico através da alimentação, ou quando não há tempo suficiente para a recuperação muscular, pode-se pensar em suplementação.
Suplementos para atividade física que eu, Laura, acredito e prescrevo: maltodextrina (performance/recuperação), dextrose (performance/recuperação), aminoácidos (ganho de massa muscular/recuperação), bicarbonato (redução de acidez sanguínea quando há produção de lactato e liberação de íons H+), cafeína (alerta/performance), creatina (ganho de massa muscular/performance/recuperação) e whey protein (ganho de massa muscular/recuperação). Utilizar o suplemento adequado, na dosagem adequada e nos horários adequados está diretamente relacionado com obter os resultados esperados. Consulte sempre um nutricionista antes de iniciar a suplementação, uma vez que, dependendo do seu histórico de saúde, alguns compostos podem ser prejudiciais ao seu organismo. Com base nos estudos científicos mais recentes, deixo as vitaminas e minerais apenas para os casos de deficiência. Ah, gosto de lembrar que cada profissional possui a sua conduta. Logo, o seu nutricionista ou o seu treinador podem ter uma opinião diferente da minha.
Informações essenciais e finais: no Brasil, suplemento para atividade física não é considerado medicamento e, portanto, ainda temos uma fiscalização pouco eficiente por aqui. Cuidado com as promessas milagrosas, cuidado com as indústrias de fundo de quintal. Escolha os seus suplementos a partir de marcas reconhecidas, de empresas com sólida atuação no mercado. Busque sempre compreender as evidências científicas. Jamais se oriente unicamente pela publicidade.
Espero que tenha gostado!
BON APPÉTIT! ;)